Os gregos surgiram do encontro entre povos de
origem indo-européia – os chamados “indo-europeus” –, que viviam em diferentes
regiões da Ásia e Europa, com os povos autóctones (que já viviam na península
grega antes da chegada dos indo-europeus).
Até hoje, a história desses povos
indo-europeus encontra-se, em grande parte, envolta em mistério: existem poucos
vestígios arqueológicos sobre eles. O conhecimento mais sistemático que existe
sobre os indo-europeus está na filologia, ciência que estuda as línguas. Um
filólogo especialista em línguas de origem indo-européia foi o francês George
Dumezil. Ele detectou semelhanças entre várias línguas antigas (o grego antigo,
o latim, etc.) que, segundo ele, indicam uma origem comum indo-européia.
O que se sabe é que por volta de 2.000 anos
a.C. um grupo de indo-europeus, os aqueus, chegaram à península grega e lá se
estabeleceram.
A Grécia, na verdade, era formada por três
unidades: a península balcânica, as ilhas do mar Egeu e a costa da Ásia Menor.
Toda essa região foi ocupada por comunidades de seres humanos na “pré-história”,
e por volta de 2.000 a.C. recebeu a influência dos aqueus, que eram povos que,
ao que tudo indica, possuíam uma organização social, política e religiosa mais sofisticada
que a dos povos autóctones.
A civilização aquéia – ou “grega” – organizou-se
em torno da cidade de Micenas e, a partir dali, expandiu-se para outras regiões
da península, para as ilhas e para a costa da Ásia Menor. Foi o período da
chamada “Expansão Micênica”, iniciada a partir de 1.400 a.C. mais ou
menos.
Trata-se de um período muito obscuro para os
historiadores porque a única fonte escrita que existe sobre ele são os poemas
de Homero “A Ilíada” e “A Odisséia”, que existiam na oralidade já em meados de 800
a.C., mas que só foram escritos em 534 a.C., muitos séculos depois dos fatos
ocorridos. Não se sabe nem se Homero existiu, se era um indivíduo ou uma escola
de poetas.
Na ilha de Creta, nesse processo de expansão,
os gregos aprenderam com os povos que lá viviam a metalurgia do bronze, o uso
da escrita e aperfeiçoaram a arte da navegação. Nesse período, também, o
comércio e o artesanato se desenvolveram e os gregos construíram grandes
palácios em suas cidades, a partir dos quais eles governavam seus territórios.
A unidade política era a da cidade-estado, semelhante à da Mesopotâmia. Essa
expansão e crescimento da civilização micênica teria se dado entre 1.400 e 1.200
a.C.
Por volta de 1.200 a.C. os palácios micênicos
foram incendiados e destruídos. Foi nessa época também que a Grécia e a ilha de
Creta foram invadidas pelos dórios, outros povos de origem indo-européia. Só
não se sabe se foram eles que incendiaram e destruíram os palácios micênicos,
colocando fim a essa civilização.
Com a destruição dos últimos palácios
micênicos e a desagregação do sistema social controlado e mantido por eles – o
chamado “sistema palaciano” –, a cultura grega desapareceu. Lembrem-se que os
aqueus (ou gregos) haviam aprendido a metalurgia do bronze, o uso da escrita e a
arte da navegação através do contato que eles mantiveram com uma civilização
autóctone mais avançada, a cretense (que vivia na ilha de Creta). Graças a esse
aprendizado, a civilização micênica se desenvolveu muito, principalmente devido
ao comércio que se estabeleceu com as ilhas e com a Ásia Menor, que foi
impulsionado pelo melhoramento técnico na arte da navegação.
Com a invasão dos dórios, a Grécia entrou
num período de estagnação. Houve um enfraquecimento das atividades urbanas, do
comércio, do artesanato, e a própria escrita deixou de ser utilizada. Foram
tempos obscuros, que os historiadores chamam de “Idade das Trevas”. As
comunidades diminuíram, empobreceram, isolaram-se; as trocas comerciais
reduziram-se a quase nada. Extinguiu-se o contato dos gregos com outras
culturas da Ásia Ocidental. Esse período vai de em torno de 1.200 até cerca de
800 a.C.
No final da Idade das Trevas ocorreu uma
transformação importante nas comunidades gregas.
Quando os dórios invadiram a Grécia, por
volta de 1.200 a.C. (foram eles que construíram a cidade de Esparta), teve
início um processo de ruralização. As cidades se tornaram comunidades rurais –
os genos – que eram liderados pelo homem mais velho, e nesses genos a
propriedade da terra era de todos (era uma propriedade comunal). Só que havia
terras mais férteis que outras, e como quase toda a população se dedicava à
produção de alimentos para a subsistência, muitos camponeses se estabeleceram
em terras inférteis. Isso gerou uma disputa pelo direito de explorar as terras
cultiváveis que, de certa forma, só foi solucionado com o estabelecimento da
propriedade privada pelos “aristoi” (os melhores, descendentes dos primeiros
indo-europeus), que vinham, desde muito tempo, concentrando em suas mãos as
terras mais férteis. Surgia assim uma aristocracia da terra e, junto com ela, o
regime “aristocrático”: a Aristocracia (“governo de poucos” ou “governo dos
melhores”).
É interessante notar que a literatura grega
dos séculos VIII e VII a.C. só fez aumentar o poder dessa aristocracia, dizendo
que os nobres eram descendentes de heróis mitológicos, e criando cenas em que
os não-nobres apareciam como seres desprovidos de inteligência. Por exemplo, na
obra “A Ilíada”, de Homero, tem uma cena em que um não-nobre chamado Tercídides
faz acusações aos nobres. Ulisses, que
era um nobre (e é o herói da “Ilíada”), pega o seu cetro e dá uma cacetada na
cabeça do não-nobre, que chora. E assim
diz Homero: “E os gregos riem de Tercídides”.
Durante o período micênico, a autoridade das
cidades era a Monarquia, ou “governo de um só”, baseada na propriedade comunal.
No final do período das Trevas, por volta de 900-800 a.C., a autoridade das
cidades passa a ser a Aristocracia.
Apesar de ter havido um desenvolvimento
cultural intenso a partir dessa época, a mudança no regime de propriedade e na
política fez com que um número significativo de indivíduos migrasse para outras
regiões e estabelecesse colônias fora de sua cidade de origem.
As cidades gregas tinham, nessa época, cerca
de 5.000 habitantes, a população aumentava cada vez mais, e esse aumento
demográfico não era acompanhado por um aumento da produção de alimentos.
Aumenta o número de não-nobres, de povo, indivíduos que passam a pressionar a
aristocracia no sentido de uma maior participação nas tomadas de decisões
visando, logicamente, diminuir a desigualdade social.
A primeira tentativa por parte da
aristocracia das cidades gregas – ou pólis gregas – no sentido de solucionar
esse problema foi financiar a colonização de outras regiões, diminuindo assim
os efeitos da explosão demográfica sobre a economia. Assim, os gregos colonizaram
extensas áreas da Ásia Menor, diversas ilhas, a Sicília, o sul da Itália (a
Magna Grécia) e extensas áreas em torno do Mar Negro, fundando novas cidades
que passaram a fazer parte do circuito comercial grego.
Durante esse período, a moeda começa a ser
utilizada e, logo em seguida, surge o câmbio, porque cada cidade tinha a sua
moeda (a moeda era símbolo de autonomia política), o que facilitou enormemente
o comércio.
Bizâncio foi uma cidade fundada pelos gregos
nesse processo de colonização por volta do século VII a.C., e que mais tarde
seria a sede do Império Romano do Oriente, com o nome de Constantinopla. Hoje,
a antiga Binzâncio, fundada pelos gregos, depois Constantinopla, sede do
Império Romano do Oriente, é Stambul, uma das cidades mais importantes da
Turquia.
Mesmo com o sucesso da colonização, que
impulsionou o comércio e o desenvolvimento econômico de todas as cidades
gregas, a contestação à ordem aristocrática continuou. Um dos fatores que
ajudam a entender essa contestação foi a entrada dos não-nobres nos exércitos
das cidades. Antes, só nobres faziam parte do exército. A partir dos anos 700
a.C., não-nobres passaram a ser recrutados, e como essa camada da sociedade
passou a ser importante para a defesa da cidade, ela passou a achar ainda mais
legítima a sua participação no governo.
A aristocracia fez concessões ao povo em
quase todas as cidades gregas, mas as transformações políticas mais radicais
ocorreram em Atenas, cidade fundada pelos jônios, povos indo-europeus que ali
chegaram por volta de 1.800 a.C.
Com a pressão do povo no sentido de uma
maior participação nas tomadas de decisões, surge a Tirania, um governo
ditatorial, comandado por um tirano: um nobre que se aproveitava da situação
para tomar o poder de forma absoluta. Não era uma monarquia tradicional porque
o tirano não era filho de rei e o poder não era hereditário; não era também uma
aristocracia, porque o governo não era de poucos, mas de um só.
A diferença maior entre a Aristocracia e a Tirania
é que os tiranos tomavam medidas populares no sentido de diminuir a
desigualdade social e trazer o povo para o seu lado: distribuíam dinheiro,
realizavam obras públicas (que geravam emprego) e festas, mandavam juizes para
fazer justiça ao povo, enfim, eram líderes populistas, que ficavam no poder por
pouco tempo, porque outros nobres conseguiam rapidamente convencer o povo de
que o poder estaria melhor em suas mãos, davam um golpe e tomavam a liderança.
Em Atenas foram criados dois órgãos de
participação nas tomadas de decisões que, mais tarde, por volta de 500 a.C.,
revolucionariam a política ateniense: a Boulé e a Eclésia. A Boulé era um
conselho administrativo composto por 400 membros, cidadãos atenienses,
responsável pela administração e pela preparação das leis. A Eclésia era uma
Assembléia popular que aprovava ou não as determinações e leis que partiam da
Boulé. No entanto, na Tirania, quem tinha a autoridade máxima ainda era o
tirano (que assegurava os privilégios da aristocracia).
Em 507 a.C. , após a expulsão de um tirano
do poder, dois grupos aristocráticos se enfrentaram em Atenas: um, liderado por
Iságoras, e outro liderado por Clístenes. Clístenes se aliou com o demos (ou
“povo”), e no momento em que Iságoras estava prestes a tomar o poder e
instituir uma nova tirania em Atenas, Clístenes fez entrar o demos na praça
pública e tomou o poder.
Todos esperavam que Clístenes fosse se
tornar mais um tirano, mas isso não aconteceu. O que Clístenes fez foi entregar
o poder de Atenas ao demos, criando assim a democracia, “o governo do demos”.
Até hoje existe uma dúvida sobre o que era,
de fato, o demos: se era todo o povo de Atenas ou todo o povo pobre de Atenas.
Alguns historiadores tendem a achar que era todo o povo; outros, que era todo o
povo pobre; mas o que se sabe é que a democracia criada por Clístenes em 507 a.C.
permitiu uma ampla participação política de todos os homens livres nascidos em
Atenas.
Eram cidadãos atenienses todos os homens
livres nascidos em Atenas, e somente os cidadãos atenisenses tinham direito de
participar ativamente das tomadas de decisões políticas. Da categoria de
cidadãos estavam excluídos as mulheres, os escravos e os estrangeiros (não nascidos
em Atenas).
Quando Clístenes tomou o poder, ele dividiu o
território de Atenas em 10 regiões, que correspondiam a 10 grupos
populacionais, 10 tribos. Em cada tribo realizava-se um sorteio para definir
quais cidadãos, daquela tribo, participariam da Boulé, que era o Conselho
administrativo, que a partir de Clístenes passou a ser composto de 500 membros
não permanentes. A Boulé se reunia para colocar em ordem o que seria tratado e
decidido pela Eclésia ou Assembléia, que era o órgão de maior poder e do qual
todos os cidadãos atenienses podiam participar .
As reuniões da Eclésia aconteciam uma vez por
mês, começavam ao nascer do sol e terminavam ao pôr do sol. As pessoas se
reuniam na praça pública, a Ágora, e lá votavam, levantando as mãos, as leis e
propostas da Boulé. Definido o que seria feito, entrava em ação o poder
executivo, composto por magistrados eleitos, cada um exercendo uma função
diferente.
A diferença em relação à época dos tiranos, é
que a Eclésia Clássica, pós-Clístenes, tinha poder de fato. Na Tirania, o povo
vaiava ou aplaudia, mas não decidia nada. A partir de 507 a.C., a Assembléia
ateniense passa a ter poder de fato, e a participação era direta, o que é raro
na história da democracia.
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