O Cristianismo surgiu na Palestina, região conquistada pelos romanos em 64 a.C. Ali viviam os judeus, governados, a partir de 40 a.C., por Herodes, o Grande, um rei judeu que se tornou uma espécie de aliado dos romanos.
Os
judeus que viviam nessa província romana eram muito apegados às suas tradições
religiosas e não aceitavam bem a dominação estrangeira, principalmente por
serem os estrangeiros politeístas – ou seja, adoravam vários deuses –, como era
o caso dos romanos. Os judeus eram monoteístas – adoravam um deus só.
No ano
4 a.C., o reino da Judéia (que ficava dentro da província romana da Palestina) foi dividido
em partes, que passaram a pertencer aos filhos de Herodes, o Grande, falecido
naquele ano (Obs.: um desses filhos também se chamava Herodes). Só que essas
províncias judaicas, na verdade, estavam sob o controle dos romanos, através de
seu procurador Pôncio Pilatos (que tentava manter uma aliança com os herdeiros
de Herodes, o Grande, como forma de mascarar a verdadeira dominação, que era de
Roma). Nessa época, parece que já havia ficado claro aos judeus que quem dominava
de fato a região eram os romanos, e a revolta dos judeus contra os dominadores
estrangeiros aumentava a cada dia.
Nesse
clima de tensão, segundo o Novo Testamento, um judeu chamado Jesus começou a
pregar dizendo que era filho de Deus e, ao mesmo tempo, o Messias ou Cristo. (Segundo
as profecias judaicas, o Messias viria libertar seu povo e criar um reino judeu
na Terra). Só que Jesus dizia que o seu reino era no Céu e não na Terra, e ao
dizer isso, e ainda que era filho de Deus, ele foi acusado por algumas seitas
judaicas (como a dos fariseus e a dos saduceus) de estar blasfemando, pois eles
esperavam um reino judeu na Terra, e, além disso, para eles, o Messias esperado
não seria filho de Deus.
Jesus
recrutou um grupo de seguidores e saiu pregando a Boa Nova de que ele era o
Messias e o filho de Deus. E, com isso, ele começou a ser visto pelas
autoridades de Roma na Judéia como um rebelde capaz de colocar em cheque o
poder dos romanos, não só na Judéia, mas em todo o Império Romano.
Visto
com desconfiança pelos próprios judeus – não por todos, mas por algumas seitas
–, Jesus foi perseguido, preso e condenado pelo Sinédrio, que era um tribunal
composto principalmente por judeus saduceus. Depois de condenarem Jesus, o
tribunal judeu solicitou uma autorização do procurador romano Pôncio Pilatos
para que Jesus fosse crucificado. Pilatos então “lavou suas mãos”, e Jesus foi
crucificado.
Se Jesus
ressuscitou no terceiro dia e depois subiu aos Céus é uma questão que nós não
vamos discutir. O fato é que os apóstolos começaram a divulgar os ensinamentos
de Cristo, conquistando cada vez mais fiéis e, ao mesmo tempo, fazendo aumentar
as perseguições aos então chamados Cristãos, que tiveram que se dispersar pelo
Império Romano.
Os
dois maiores pregadores dos ensinamentos de Cristo (ou de “Jesus”, para os não
cristãos) foram Paulo e Pedro. Paulo, antigo perseguidor de cristãos, foi
convertido e começou a viajar pregando, até que foi preso pelas autoridades
romanas em Jerusalém e mandado a Roma, onde foi decapitado. Pedro, por sua vez,
que era pescador, teve a audácia de levar o Cristianismo a Roma, onde se
dedicou a converter pobres e escravos, até que foi preso e crucificado.
Os
cristãos foram muito perseguidos pelos imperadores romanos, que temiam uma
possível união cristã para derrubar o poder do imperador e estabelecer um
Império cristão no mundo. Naquela época, não havia uma separação clara entre
poder político e religião, e os imperadores acreditavam que os seguidores de
Cristo, ao proporem a construção de uma sociedade cristã, estariam indo contra
o poder do imperador, legitimado por uma outra religião. (O próprio imperador
era cultuado como um deus, e os cristãos, ao pregarem publicamente a existência
de um único Deus – que não era o imperador – foram vistos como uma ameaça à
própria autoridade política do imperador, legitimada pelo seu caráter sagrado).
O
último imperador romano que perseguiu cristãos foi Diocleciano. O seu sucessor,
Constantino, no ano de 313 d.C., legalizou o Cristianismo em todo o Império.
Mais
tarde, em 391 d.C., o imperador Teodósio, para se aproximar dos cristãos e
obter deles apoio político – já que os cristãos tinham muita influência sobre
os povos do Império –, aboliu definitivamente a antiga religião romana, fazendo
do Cristianismo a religião oficial do Império Romano, e de Roma a sede da
Igreja Cristã Católica – Catolicismo foi como ficou conhecida a nova religião
de Roma, a religião daqueles cristãos que reconheciam a autoridade religiosa de
Roma e de seu líder religioso, o Papa, antigo bispo de Roma, que passou a ser o
líder máximo da Cristandade.
O
Cristianismo Católico se estruturou de forma bastante organizada e continuou
sua expansão como religião oficial do Império.
No
Império Romano do Oriente, o que se percebe é que o Cristianismo seguiu um rumo
diferente, tornando-se ortodoxo, inflexível quanto a determinadas questões. Por
exemplo, Constantinopla entrou por mais de uma vez em choque com Roma no que
dizia respeito à adoração de imagens de Cristo, da Virgem Maria e dos santos.
Os cristãos do Oriente, em geral, eram contra a adoração de imagens, e o Papa,
em Roma, não via problema nisso.
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