As tribos germanas ocuparam diferentes regiões da Europa e foram aos poucos se fundindo culturalmente com os grupos latinizados que ali viviam (nobres e plebeus romanos, escravos, etc.).
Tais
grupos deram origem a vários reinos, a saber: francos merovíngios, em grande
parte da Gália; ostrogodos, na Itália e parte da Áustria e Iugoslávia (os
lombardos posteriormente se instalaram no norte da Itália); borgúndios no leste
da Gália; visigodos na Hispânia; suevos no noroeste da península ibérica;
vândalos no norte da África; anglos-saxões nas Ilhas Britânicas.
A
maioria desses reinos teve uma história tumultuada, caracterizada por conflitos
entre a monarquia (o rei bárbaro) e sua aristocracia. Essa aristocracia era
formada pelos guerreiros germanos que recebiam terras das mãos de seu rei e se
estabeleciam nelas como proprietários. Esses senhores – na verdade seus filhos,
netos, bisnetos... –, com o passar das gerações foram perdendo os laços que os
uniam à casa real, ao rei – ou melhor, aos seus descendentes, herdeiros do
trono –, o que aos poucos levou a uma fragmentação do poder em toda a Europa.
Nas
primeiras gerações dos reinos germanos, a unidade era precariamente mantida
graças aos laços de fidelidade que uniam o rei germano (e seus primeiros descendentes)
aos senhores de terras. Com o tempo, porém, esses laços foram se enfraquecendo,
o que, aliado à fraca presença da monarquia nas propriedades de terras (ou
feudos), levou à fragmentação do poder. Aos poucos a Europa foi se
transformando numa verdadeira colcha de retalhos.
Era o
Feudalismo.
Nem
mesmo o apoio dado pela Igreja aos reis germanos, que passaram a contar com a
proteção divina, tornando-se “reis pela graça de Deus”, foi suficiente para
fortalecer a posição dos governantes diante dos seus súditos.
O destino das monarquias bárbaras, a partir do século VII, diante da
fraqueza ou ausência de um poder político centralizado, foi a fragmentação em
principados e autonomias territoriais, dirigidos por diversas famílias de
senhores (os senhores feudais).
Os
descendentes dos primeiros guerreiros bárbaros (agora nobres senhores de
terras), acabaram se convertendo em pequenos reis locais (senhores feudais),
com poderes quase absolutos sobre o seu pedaço de terra (feudo) e sobre as
pessoas que ali viviam, os plebeus (camponeses descendentes dos
romanos e de ex-escravos romanos, derrotados no contexto das invasões bárbaras,
e também de origem germana, que também viviam como camponeses).
Essa
perda de controle por parte dos reis bárbaros deu origem a um sistema político
e econômico descentralizado que ficou conhecido como Feudalismo. A Europa se
fragmentou em vários feudos (que eram enormes porções de terra), cada um com um
senhor diferente – o senhor feudal –, que dominava as terras e cobrava impostos
dos camponeses (plebeus) que trabalhavam para ele.
Esse
processo se deu, com algumas especificidades regionais, em todos os reinos
bárbaros.
Com o
tempo, senhores feudais empobrecidos e nobres de origem germana sem terras
foram aos poucos buscando proteção junto aos senhores mais fortes, com mais
terras e recursos para se defenderem de forma eficaz de invasores. Senhores
mais fortes concediam terras e proteção a um senhor empobrecido ou nobre
destituído de terras, que devia, em retribuição, ser fiel ao seu senhor
(suserano). Era a relação suserano-vassalo.
A
reciprocidade dava, portanto, o tom geral da sociedade. E isso era o que se
poderia esperar de uma sociedade estruturada, basicamente, sobre as relações
pessoais.
No
Feudalismo, a riqueza produzida era composta, basicamente, por alimentos, e os
impostos pagos ao senhor feudal eram em espécie, ou seja, não havia moedas, os
camponeses pagavam parte daquilo que eles produziam.
Esse
processo de ruralização fez com que a Igreja Católica se deslocasse para o
campo. Os senhores feudais foram, aos poucos, se convertendo ao Catolicismo, e
muitos doavam terras à Igreja, ajudando-a a se tornar, ela própria, uma grande
senhora feudal. A igreja integrou-se ao sistema feudal através dos mosteiros,
que se pareciam muito com os domínios dos senhores feudais; e era ali, nos
mosteiros, que se concentrava boa parte da cultura “erudita” medieval.
No
modo de produção feudal, a economia, no geral, era fechada: não havia moedas e quase não
sobravam alimentos para os camponeses irem de um feudo a outro para trocar a
sua produção por outros tipos de alimentos. As trocas comerciais eram muito
restritas.
Só
que, com o tempo, alguns camponeses começaram a organizar feiras anuais onde,
todos os anos, um grande volume de trocas passou a ser realizado. Foi nesse
contexto que se começou a utilizar novamente a moeda como elemento de troca, o
que facilitou muito o comércio.
Com
isso, começaram a aparecer aldeias onde viviam pessoas especializadas na
atividade comercial: verdadeiros centros comerciais. Eram os burgos, e seus
habitantes, os burgueses. Os burgueses não eram camponeses. Eles só compravam
dos camponeses a sua produção e revendiam para outros camponeses, obtendo
lucro.
No que
diz respeito à política, na Europa dos séculos XII-XIII, até o século XVI (mais
ou menos entre os anos 1100 e 1500), alguns grandes senhores feudais (ou
“reis”), que haviam reunido recursos militares poderosos e vários vassalos,
entraram em choque com outros senhores, tão fortes quanto eles, venceram e
constituíram reinos maiores, com o poder centralizado em suas mãos (às vezes
venciam sem o uso da força, apenas com a diplomacia), dessa vez aplicando de
forma eficaz o direito romano no processo de organização do estado. Foi assim
que surgiram os reinos de França, Portugal, Espanha e Inglaterra, as quatro
principais monarquias centralizadas da Europa Moderna, sob a grande influência
da Igreja Cristã Católica (e do seu Direito: o Direito Canônico). Nesse longo
processo, a fragmentação do poder político, característica da Idade Média, deu
lugar ao poder centralizado e à unificação dos territórios.
Para
os senhores feudais, o processo de fortalecimento da autoridade do rei
acarretou a diminuição do seu poder; mas o rei, para compensá-los, atraiu-os
para a sua corte, como funcionários (normalmente soldados, guerreiros, mas
também cobradores de impostos, juizes, etc.) e conselheiros. Eles não perderam
suas terras (puderam até continuar cobrando impostos dos camponeses e burgueses
de seus antigos feudos), só perderam o poder político sobre elas. Elas deixaram
de ser um feudo, dominado pelo senhor feudal, para se tornarem território do
Estado, administrado pelo Estado, controlado pelo rei e sua burocracia.
Recorrendo
ao apoio da burguesia, favorecendo as cidades, incentivando a libertação de
servos, constituindo tropas, revigorando o direito romano, a monarquia, desde o
século XIII, ia reagrupando em suas mãos os fragmentos de poder anteriormente
detidos pelos senhores feudais. Esse fortalecimento monárquico era ainda
favorecido pelo desenvolvimento de um sentimento nacionalista, que fazia a
realeza ser vista como símbolo e representante da coletividade. A formação das
línguas vernáculas (o francês, o espanhol, o português, etc.) e os contatos
estabelecidos pelo comércio com outros povos levavam à conscientização das
características próprias de cada grupo humano.
Os
reis feudais (aqueles “senhores feudais mais poderosos” do início do processo
de centralização do poder) tinham sido inicialmente muito mais suseranos que
soberanos, ou seja, seu poder se efetivava fundamentalmente pelos laços
vassálicos de lealdade e fidelidade entre eles e seus vassalos. Mas era também
limitado por eles. Contudo, à medida que os poderes regionais detidos pela
aristocracia (senhores feudais) entravam em crise, o rei podia extrair das
próprias relações vassálicas elementos que faziam dele cada vez mais soberano
que suserano.
Aos
poucos, o rei impôs sua autoridade sobre territórios cada vez mais vastos. Os
limites entre esses territórios começaram a ganhar sentido político, fiscal e
militar, fixando-se e tornando-se fronteiras.
Surgiu
o Estado moderno. Fenômeno novo na história, uma de suas características
principais era o caráter fortemente centralizado do poder monárquico em
oposição à fragmentação vivida no sistema feudal.
O
funcionamento do Estado exigiu a formação e o treinamento de uma burocracia
profissional, encarregada de administrar e de fazer cumprir as determinações do
soberano e suas leis. Para manter toda essa organização, foi necessário
monopolizar a arrecadação de impostos, até então cobrados de maneira
descentralizada pelos senhores de cada feudo.
Para visualizar os slides da aula, CLIQUE AQUI
Para visualizar os slides da aula, CLIQUE AQUI

Nenhum comentário:
Postar um comentário